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Saúde mental deixa o campo simbólico e avança na gestão empresarial

Aplicação da NR1 impulsiona abordagem mais ampla proposta pelo Janeiro Branco

O ano virou e, com isso, o início de um calendário simbólico que ganhou espaço nas agendas corporativas brasileiras. A começar pela campanha Janeiro Branco, dedicada à saúde mental, que propõe uma reflexão mais ampla sobre bem-estar psicológico no ambiente de trabalho, indo além de campanhas pontuais e de ações reativas. Em um cenário de transformação regulatória e pressão por resultados sustentáveis, o tema passa a ocupar posição estratégica nas empresas.

Essa campanha trata da saúde mental de forma integral. A proposta envolve equilíbrio emocional, qualidade de vida e condições organizacionais que permitam relações de trabalho mais saudáveis. Para a psicóloga Bruna Antonucci, consultora em gestão de processos e pessoas, o desafio está em superar a lógica de campanhas obrigatórias e avançar para uma abordagem estruturante.

"Ao longo do ano, as empresas seguem uma pauta colorida que muitas vezes se transforma em um calendário automático de ações para o RH. O Janeiro Branco precisa ser entendido como um convite à reflexão sobre a saúde mental como um todo, não como um evento isolado", afirma.

O debate ganha relevância adicional em 2026, com a intensificação da aplicação da Norma Regulamentadora nº 1, que reforça a responsabilidade das organizações na identificação e no gerenciamento de riscos psicossociais. Nesse contexto, falar de saúde mental deixa de ser apenas uma iniciativa de comunicação interna e passa a integrar a agenda de governança e conformidade.

"Em um ano em que a NR1 começa a valer de forma mais concreta, iniciar o ano discutindo saúde mental é essencial. Isso exige olhar para a cultura organizacional e entender se a empresa, de fato, dissemina a ideia de equilíbrio emocional e bem-estar", diz Bruna.

Segundo a especialista, a abordagem adequada não deve buscar soluções definitivas ou discursos de cura. A saúde mental, explica, está associada a equilíbrio contínuo e à capacidade da organização de criar condições favoráveis ao trabalho sustentável. "Não falar de cura quando se fala em saúde mental. Existe equilíbrio, qualidade de vida e bem-estar. É um processo permanente, que depende das escolhas institucionais feitas todos os dias, ao invés de cura é imprescindível se falar do preconceito, medo e receio que as pessoas possuem em relação ao tema.

Para que o Janeiro Branco tenha impacto real, Bruna defende que empresas, lideranças e áreas de recursos humanos façam uma avaliação honesta do ambiente interno. Isso envolve analisar cargas de trabalho, relações hierárquicas, práticas de gestão e coerência entre discurso e prática. "É preciso avaliar como está essa balança dentro dos times e da cultura organizacional. Só assim falamos de saúde mental de forma concreta."

A discussão também dialoga com estudos recentes que apontam o aumento dos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais no Brasil, segundo dados da Previdência Social. O avanço desses indicadores reforça a necessidade de políticas preventivas e integradas, que não se limitem a ações sazonais.

"Quando a empresa assume esse diagnóstico com seriedade, a NR1 deixa de ser apenas uma exigência legal e passa a fazer sentido na prática. É nesse ponto que a saúde mental se torna parte da estratégia e não apenas do calendário", conclui Bruna Antonucci.

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