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Regras globais de sustentabilidade põem à prova estrutura profissional e caixa de empresas abertas e fechadas no Brasil
Especialista da FIPECAFI traz análise sobre a importância da estrutura de especialização dos profissionais da área e outros diversos desafios que merecem atenção com urgência em 2026
Não é uma novidade para os profissionais que, a partir de 2027, as empresas brasileiras serão obrigadas a entregar relatórios de sustentabilidade seguindo as normas globais (IFRS S1 e S2) para o ano calendário de 2026. Mas, pensando na conexão entre a mensuração de riscos e oportunidades e a apresentação de seus efeitos sob a ótica financeira, há ainda desafios peculiares para as companhias de capital aberto e fechado: estrutura de especialização dos profissionais e, até mesmo, o papel da contabilidade em empresas familiares de capital fechado, pontua o especialista da FIPECAFI.
Para Flávio Riberi, professor e coordenador dos cursos de Pós-Graduação e MBA da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), pensando em companhias de capital aberto, a estrutura para gerar esses relatórios exige uma preparação proativa, aproveitando o momento em que certos "alívios" são permitidos para o ano calendário de 2025 (a ser preparado este ano).
"Sabe-se que a preparação dos relatórios de sustentabilidade deve entrar no radar em termos de dimensionamento da estrutura de report e, principalmente, no olhar da gestão sobre o mapa de competências dos profissionais envolvidos com a elaboração, além de um alinhamento coeso com muitas áreas com as quais a função de contabilidade e controladoria não se relacionava anteriormente, a exemplo de áreas relacionadas a sustentabilidade", comenta.
Para as empresas de capital fechado espera-se uma mudança de mindset pois muito da necessidade de informação se origina por meio de seus credores que olham a rentabilidade e geração de caixa para assegurar o retorno de empréstimos concedidos - considerando a obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade em 2027, a companhia precisará abrigar as atividades de coleta de informações, mensurações de risco e preparação do relatório de sustentabilidade, pois se tornará uma demanda dos credores a compreensão de tais riscos e oportunidades.
Desafio
Adicionalmente, é necessário pontuar que, para as de capital aberto, o grande desafio é o rigor da transparência sob o mercado, em que qualquer falha na integração entre dados climáticos e financeiros ou mesmo a omissão de informações relevantes, pode derrubar o valor das ações. Mas, por outro lado, a oportunidade é de consolidar a confiança de investidores globais e manter uma comunicação alinhada as expectativas de investidores e credores, que passarão a incluir métricas relacionadas a sustentabilidade em seus processos de análise da informação, segundo o especialista.
"Agora, ao olharmos para as empresas de capital fechado (incluindo as familiares), o obstáculo ainda permanece no mindset dos gestores que nem sempre se utilizam de informações da contabilidade, que devem abarcar um rol mais extenso de informações dentro de estruturas geralmente mais enxutas", comenta.
O especialista também pontua que a chance de ouro é a profissionalização da gestão, ao adotar o IFRS S1 e S2, já que essas empresas deixam de agir por "intuição" e passam a usar dados estratégicos, garantindo sua permanência em cadeias de suprimentos globais que em breve não aceitarão parceiros que não reportem seus riscos. E ele complementa dizendo que, com a adoção das normas, será possível criar uma nova cultura organizacional principalmente nas companhias que ainda não encamparam iniciativas que demonstrem seu papel diante do grande desafio global das mudanças climáticas.
Oportunidade e profissionalização
Pensando neste novo cenário de maior profissionalização, como destacou o professor, um estudo da Delloite, reportou que 60% das empresas pretendem contratar serviços de consultoria especializada, enquanto mais da metade delas planeja treinar seus executivos e profissionais responsáveis pelo reporte e pela conformidade. Estes resultados sugerem que ainda as áreas de contabilidade e controladoria estão imersas na implementação dos dispositivos com alta complexidade da reforma tributária e ainda na compreensão dos impactos e mudanças de processos decorrentes da adoção do IFRS 18 que trará novidades na forma de apresentação das demonstrações de resultados.
E, ainda olhando para o cenário de preparação, há outros obstáculos que as companhias estão tendo que lidar – fora o de especialização da liderança e colaboradores de modo geral. Por exemplo, as suas relações com os Investidores também é um fato preocupante. Esse anseio já é possível de ser notado, já que 45% das organizações apontam que atender às normas de sustentabilidade e clima IFRS S1 e S2 é um dos principais desafios à área de RI, segundo o material da Deloitte.
"Vamos reforçar que as informações sobre o impacto na natureza não podem ser direcionadas de qualquer maneira; elas precisam estar conectadas e integradas à análise financeira e aos riscos do negócio que essas normas já exigem. E, sem dúvida, seja um escritório contábil ou profissional que atua internamente em uma empresa, a capacitação será indispensável e é o ato mais importante pensando no período de preparação e aplicação das normas nos próximos anos", finaliza o professor e coordenador dos cursos de Pós-Graduação e MBA da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), Flávio Riberi.
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