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Trabalho no Brasil e decisão de juros nos EUA marcam a semana
Mesmo com uma semana mais curta no Brasil após o Carnaval, a agenda econômica concentra divulgações capazes de mexer com juros, dólar, Bolsa e expectativas para o crescimento global
Mesmo com uma semana mais curta no Brasil após o Carnaval, a agenda econômica concentra divulgações capazes de mexer com juros, dólar, Bolsa e expectativas para o crescimento global. No exterior, os Estados Unidos divulgam dados decisivos de atividade e inflação, enquanto a China entra na semana do Ano-Novo Lunar, período tradicionalmente marcado por menor liquidez e impacto nos mercados asiáticos.
Para o investidor brasileiro, entender o calendário e o peso de cada indicador é essencial para antecipar movimentos no mercado financeiro, ajustar carteiras e tomar decisões mais estratégicas, seja em renda fixa, renda variável ou câmbio.
China: Ano-Novo Lunar e impacto na liquidez global
A semana do Ano-Novo Lunar na China costuma reduzir o volume de negociações nas bolsas asiáticas e diminuir o ritmo de divulgação de dados econômicos. A paralisação parcial de atividades em fábricas, portos e empresas pode afetar cadeias logísticas e fluxos comerciais.
Para o Brasil, o impacto costuma aparecer principalmente em commodities e empresas exportadoras listadas na B3.
Commodities
A China é o maior parceiro comercial do Brasil, especialmente na compra de minério de ferro, soja e petróleo. Com menor liquidez e negociações reduzidas, os preços dessas commodities podem apresentar volatilidade ou movimentos técnicos, sem necessariamente refletir fundamentos.
Empresas ligadas à mineração, petróleo e agronegócio podem reagir rapidamente a qualquer oscilação relevante no mercado asiático.
Cadeias globais
A interrupção temporária de atividades industriais pode afetar embarques e contratos, influenciando expectativas de produção e comércio internacional. Embora o efeito seja geralmente pontual, pode coincidir com ajustes globais de carteira por parte de grandes fundos.
Estados Unidos: foco total em atividade e inflação
A agenda norte-americana concentra indicadores que influenciam diretamente as decisões do Federal Reserve.
Terça-feira: atividade e consumo
Entre os destaques:
Índice Empire Manufacturing
Vendas no varejo de janeiro
As vendas no varejo são especialmente relevantes porque medem a força do consumo, principal motor da economia americana. Se vierem acima do esperado, podem reforçar a tese de economia aquecida e juros elevados por mais tempo.
Quarta-feira: ata do FOMC
A divulgação da ata do FOMC pode trazer sinais adicionais sobre o ritmo de cortes de juros.
O mercado busca pistas sobre:
Quando começam os cortes
Qual será a intensidade do ciclo
Como o comitê avalia riscos inflacionários
Qualquer mudança no tom pode impactar dólar frente ao real, fluxo de capital para países emergentes e taxas futuras de juros no Brasil.
Quinta e sexta: o ponto alto da semana
A sexta-feira concentra dados decisivos:
Gastos e renda pessoal
Deflator do PCE
PIB do quarto trimestre, com expectativa anualizada de 3,0%
Confiança da Universidade de Michigan
O deflator do PCE é considerado o principal termômetro de inflação para o Federal Reserve. Um número acima do esperado pode adiar cortes de juros. Já um dado mais fraco pode fortalecer apostas de flexibilização monetária.
Para o investidor brasileiro, juros mais altos nos EUA tendem a valorizar o dólar, pressionar moedas emergentes e reduzir fluxo para Bolsa brasileira.
Brasil: semana pós-Carnaval ganha força
No Brasil, a agenda doméstica começa de forma mais intensa a partir de quarta-feira, com indicadores relevantes para inflação, atividade e mercado de trabalho.
Relatório Focus
Divulgado pelo Banco Central do Brasil, o Relatório Focus reúne as expectativas de mercado para inflação, PIB, taxa Selic e câmbio.
É um termômetro importante para entender como economistas estão revisando projeções diante do cenário internacional e doméstico. Se as expectativas de inflação subirem, pode aumentar a pressão sobre a política monetária.
Quinta-feira: inflação e atividade
O dia será marcado por diversos indicadores:
IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
IPC-S e IGP-M da Fundação Getulio Vargas
IBC-Br do Banco Central do Brasil
O IBC-Br é considerado uma prévia do PIB. A expectativa de queda de 0,6% na comparação mensal indica possível desaceleração no fim do ano.
Na prática, um resultado mais fraco pode reforçar expectativas de manutenção ou cortes de juros no futuro, dependendo do comportamento da inflação.
Sexta-feira: mercado de trabalho
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulga a Pnad Contínua do quarto trimestre.
O dado é essencial porque mede taxa de desemprego, mostra evolução da renda média e indica força do consumo. Mercado de trabalho aquecido pode sustentar demanda e pressionar preços. Já uma desaceleração pode aliviar pressões inflacionárias.
Como essa agenda impacta o investidor brasileiro
Mesmo com menor liquidez asiática, a combinação de dados nos EUA e indicadores no Brasil pode provocar ajustes relevantes.
Oscilações no dólar
Decisões e expectativas sobre juros americanos influenciam diretamente o câmbio. Se o mercado enxergar menos cortes nos EUA, o dólar tende a se fortalecer frente ao real.
Movimentos na renda fixa
Expectativas sobre inflação e crescimento afetam as taxas futuras de juros no Brasil. Investidores atentos ao IBC-Br, inflação e Focus conseguem ajustar posições em títulos prefixados ou atrelados ao IPCA.
Volatilidade na Bolsa
Empresas exportadoras podem reagir ao cenário chinês. Já bancos e varejistas costumam oscilar conforme dados de atividade e perspectivas de juros.
Agenda completa da semana
Segunda-feira 16/02
Área do Euro: Produção industrial
Colômbia: PIB do 4º trimestre
Terça-feira 17/02
EUA: Índice Empire Manufacturing
EUA: Vendas no varejo
Quarta-feira 18/02
Brasil: Relatório Focus
EUA: Produção industrial
EUA: Ata do FOMC
Quinta-feira 19/02
Brasil: IPC FIPE
Brasil: IPC-S e IGP-M
Brasil: IBC-Br
Brasil: Fluxo cambial
EUA: Índice Fed Filadélfia
EUA: Pedidos de auxílio-desemprego
EUA: Balança comercial
Área do Euro: Confiança do consumidor
Sexta-feira 20/02
Brasil: Pnad Contínua
Alemanha: PMI composto
Área do Euro: PMI composto
EUA: Gastos e renda pessoal
EUA: Deflator do PCE
EUA: PIB do 4º trimestre
EUA: PMI industrial
EUA: Confiança da Universidade de Michigan
Conclusão
A semana reúne elementos suficientes para mexer com as expectativas globais de crescimento, inflação e juros. O investidor brasileiro precisa acompanhar tanto os dados domésticos quanto os indicadores dos Estados Unidos, especialmente o deflator do PCE e a ata do FOMC.
A menor liquidez na China adiciona um fator técnico ao cenário, que pode ampliar movimentos de curto prazo em commodities e ativos emergentes.
Em momentos como esse, informação e estratégia fazem diferença na proteção e no crescimento do patrimônio.
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Indicadores diários
| Compra | Venda | |
|---|---|---|
| Dólar Americano/Real Brasileiro | 5.2392 | 5.2422 |
| Euro/Real Brasileiro | 6.1728 | 6.1808 |
| Atualizado em: 18/02/2026 17:30 | ||
Indicadores de inflação
| 11/2025 | 12/2025 | 01/2026 | |
|---|---|---|---|
| IGP-DI | 0,01% | 0,10% | 0,20% |
| IGP-M | 0,27% | -0,01% | 0,41% |
| INCC-DI | 0,27% | 0,21% | 0,72% |
| INPC (IBGE) | 0,03% | 0,21% | 0,39% |
| IPC (FIPE) | 0,20% | 0,32% | 0,21% |
| IPC (FGV) | 0,28% | 0,28% | 0,59% |
| IPCA (IBGE) | 0,18% | 0,33% | 0,33% |
| IPCA-E (IBGE) | 0,20% | 0,25% | 0,20% |
| IVAR (FGV) | 0,37% | 0,51% | 0,65% |