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Interrupções digitais afetam produtividade e exigem revisão da gestão nas empresas
A crescente digitalização do ambiente corporativo tem provocado um novo desafio para empresas e equipes: a fragmentação da jornada de trabalho
A crescente digitalização do ambiente corporativo tem provocado um novo desafio para empresas e equipes: a fragmentação da jornada de trabalho. Um estudo da Microsoft, baseado em dados de telemetria do Microsoft 365, indica que profissionais são interrompidos em média a cada dois minutos por notificações, mensagens ou convites para reuniões.
Segundo o levantamento, essas interrupções ocorrem justamente nos períodos de maior produtividade, especialmente por volta das 11h, quando a concentração tende a atingir seu pico.
Reuniões e notificações dominam a agenda corporativa
O estudo mostra que 23% das reuniões são realizadas às terças-feiras, coincidindo com horários considerados estratégicos para atividades que exigem maior foco – entre 9h e 11h e entre 13h e 15h.
Esse cenário tem deslocado tarefas que exigem concentração para horários alternativos. A pesquisa também identificou crescimento de 16% nas reuniões realizadas após as 20h em comparação com 2024, enquanto cerca de um terço dos profissionais ainda acessa e-mails por volta das 22h.
Impactos para produtividade e gestão empresarial
A fragmentação constante da rotina profissional tem efeitos diretos na capacidade de execução de tarefas estratégicas. O levantamento indica que quase metade dos trabalhadores e mais de 50% dos líderes reconhecem dificuldade em manter foco diante do volume de alertas e compromissos agendados por terceiros.
Para Andre Purri, CEO da HRTech Alymente, o problema vai além da organização individual e reflete decisões estruturais dentro das empresas.
Segundo ele, o desgaste no trabalho não deve ser interpretado apenas como falta de resiliência dos profissionais, mas como consequência de modelos de gestão que intensificam demandas sem reavaliar processos e prioridades.
Inteligência artificial pode ajudar, mas exige estratégia
A adoção de inteligência artificial tem sido apontada como uma possível solução para reduzir sobrecargas operacionais. No entanto, especialistas destacam que a tecnologia só gera impacto positivo quando integrada a uma gestão clara de prioridades.
Nesse contexto, metodologias como o princípio 80/20 – que propõe concentrar esforços nos 20% de atividades responsáveis por 80% dos resultados – podem ajudar organizações a direcionar automação para tarefas de menor valor estratégico.
Desafio estrutural para empresas
O estudo indica que produtividade e hiperconectividade permanecem em tensão no ambiente corporativo atual. Sem revisão de processos e agendas, profissionais tendem a compensar a fragmentação da jornada trabalhando fora do horário comercial.
Para empresas e áreas de gestão – incluindo departamentos financeiros, recursos humanos e consultorias empresariais -, o cenário reforça a necessidade de repensar modelos de trabalho, governança de comunicação interna e organização das rotinas corporativas.
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